Avaliação Neuropsicológica e Análise do Comportamento

Em um mundo em que as pessoas sobrevivem mais a acidentes automobilísticos, têm uma expectativa de vida maior e a violência cotidiana faz vítimas todos os dias, surge a neurospicologia…

Diferentes profissionais construíram esse campo do saber. Inicialmente, houve um esforço de compreender como as lesões encefálicas impactam no comportamento humano. Hoje há diversos estudos sobre o processo normal e patológico de envelhecimento, e ainda, sobre as bases biológicas de transtornos do desenvolvimento. Essa área, relativamente nova, advém do estudo morfofuncional do sistema nervoso, e seus avanços possibilitam que hoje profissionais da neuropsicologia possam avaliar e intervir na reabilitação em diferentes cenários.

Em um processo de avaliação, busca-se mensurar as funções cognitivas do paciente, isto é, os neuropsicólogos utilizam ferramentas que indicam se o funcionamento cognitivo do paciente está na faixa média esperada (com base em aspectos como sua idade, sexo ou escolaridade) e compara suas próprias habilidades entre si, identificando as facilidades e dificuldades, tudo isso de forma qualitativa. Avaliar é o inicio de uma intervenção, e aqui acho importante destacar que comumente diferentes déficits cognitivos geram escores iguais, por isso, uma avaliação qualitativa é essencial, e a analise do comportamento pode ser primordial para isso.

Como a neurospicologia se aproxima da análise do comportamento?

A ciência comportamental pode dar subsídios para que esse profissional, em sua avaliação qualitativa, possa se aprofundar em contingências ambientais que têm influência no desempenho cognitivo do paciente. Isso porque, para o analista do comportamento, cognição é descrita como um comportamento que pode ser inacessível à observação. Para Skinner (1974/2006, p.92) “Pensar é comportar-se”, e por isso, em processos como atenção, abstração, memória, criatividade e solução de problemas, as contingências de reforçamento estão envolvidas. Assim, o behaviorismo radical de Skinner não desconsidera esses processos, mas os engloba em seus estudos e na produção de tecnologia.

Na clínica, pensar uma avaliação neuropsicológica apenas quantitativa é impossível. Diferentes patologias vão acometer cada organismo de uma forma, e deve-se considerar as variáveis biológicas e a história de vida desse organismo dentro de uma determinada cultura. Uma boa avaliação é o que vai definir quais são os próximos passos para a intervenção e possibilitar a reabilitação do paciente. Aliás, a análise do comportamento pode ser bem importante para o programa de reabilitação neuropsicológica, mas essa discussão vai ficar para o próximo texto.

 

Curtiu? Já tinha pensado como a análise do comportamento e a neuropsicologia podem caminhar juntas?

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Referências:

Santos, F. H., Andrade, V. M., & Bueno, O. F. A. (2015). (Orgs.). Neuropsicologia Hoje (2ª. ed.). Porto Alegre. ARTMED.

Skinner, B. F. – Sobre o Behaviorismo. 10.ed. Cultrix, São Paulo, 1974/2006.